Selfish Daydreamer
segunda-feira, 11 de setembro de 2017
sábado, 18 de junho de 2016
Que seja
É solitário demais ser a pessoa que sempre fica pra trás. Talvez seja mesmo minha culpa, mas o que eu posso fazer por mim além de ser eu mesma?
Eu queria que você pagasse pra ver que esse meu jeito bobo é só minha forma de me proteger do mundo todo, que sempre me deixa de lado quando o assunto é ser feliz. Eu queria que esses teus olhos azuis me enxergassem além da minha camada de medo e autodefesa.
É solitário lutar sozinha, embora eu saiba que é sozinha que eu devo lutar contra a minha resistência idiota ao mundo real.
No mundo real teus olhos azuis estão focados em outro alguém. Outras mãos passeiam pelos teus cabelos ruivos. Outras pessoas aproveitam as oportunidades que eu perdi ao deixar minha mão longe da tua, meu olhar no chão, meu coração fechado demais para quem quisesse entrar.
A culpa é minha. Eu sei. Eu assumo. Mas é difícil mudar quando os rostos e as vozes e beijos mudam, mas o resultado é sempre o mesmo: eu aqui, vocês todos indo embora.
domingo, 1 de maio de 2016
Coisas que não posso te dizer ao pé do ouvido
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
Tenho que ir
"Eu não quero morrer, só quero deixar de existir por um tempo."
É a definição que eu encontrei para essa minha necessidade de ir embora. Eu não aguento mais. A faculdade, o estágio, meu quarto bagunçado, meus amores fracassados. Me disseram que é assim mesmo, que quando a gente cresce a rotina começa a esmagar a gente. Mas eu não quero sentir esse peso cada vez maior no peito sem poder fazer nada.
Eu prometi pra mim que eu iria escrever sobre as coisas que eu sinto, porque talvez isso ajudasse a aliviar um pouco dessa angústia. Mas a verdade é que não importa o quanto eu escreva... Eu ainda chego em casa todos os dias com a sensação de que não cabe mais nada em mim, mas que ainda assim me falta alguma coisa.
Eu tento, juro que tento. Tento manter a cabeça levantada, o sorriso no rosto, as lâminas velhas bem longe dos meus pulsos. Eu tento. Tento pensar que é assim mesmo, que isso é só aquele período de luto do qual falam os psiquiatras, que uma hora vai passar, como sempre passa.
Por mais que eu tente, e por mais que eu saiba que vai passar, eu não consigo deixar de pensar que ainda virão outros. Virão outros como o Natan, o Eduardo, o Matheus, o Gabriel, o Roberto...
Outros virão e eu vou ficar, porque eu sempre fico. Sempre fico... e cada vez com menos de mim.
Só que eu não quero mais ficar, não quero.
Não posso.
sábado, 26 de dezembro de 2015
Já passou tanto tempo, loirinho...
Minha vida poderia ser diferente.
Era o que repetia incessantemente, sentada na frente da televisão. Os olhos focavam o nada, perdidos há muito nas possibilidades que sequer deram a ela a chance de alcançá-las. Tudo passou muito depressa, eu sei, pequena. Parece que foi ontem que você pisou na faculdade pela primeira vez, suas pernas tremendo enquanto você entrava na sala de aula. Quem diria que hoje você teria que crescer? É assim mesmo, meu bem, a vida passa e quando a gente percebe a gente já não pode mais assistir desenho o dia inteiro.
Do que vai adiantar você cobiçar a vida de quem está do outro lado do corredor, se o seu caminho já está quase completo? Resta um pedaço de papel no seu caderninho de decepções para aquilo que você de fato queria fazer da sua vida.
Se...
Se...
Se... Se tivesse acontecido talvez você não fosse tão sozinha agora; talvez ele pudesse ter gostado de você; talvez tudo seria diferente.
Eu sei que dói, mas é assim mesmo. A gente vai colhendo mágoas e colecionando cicatrizes.
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Janeiro de 2015, achei perdido no bloco de notas
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
Dia 7
Demorei tanto pra escolher uma roupa que cheguei atrasada. Saí do carro com aquela sensação estranha de não estar vendo nada ao meu redor, andando com pressa na direção da escada rolante. Na cabeça um milhão de coisas, no peito outras mil.
Acho que pensei demais, planejei demais, e subindo a escada rolante e falando com qualquer pessoa no celular só pra parecer despreocupada, eu percebi o quanto eu estava ansiosa. Pra vê-lo. Pra conhecer o cara por trás daquela tela, daquelas palavras, daqueles planos todos. Depois de tanto tempo sozinha - quantos meses, seis, sete? - era até difícil de acreditar que eu finalmente tinha me permitido uma coisa boba dessas. Conhecer um cara. Um cara novo, da internet, que incrivelmente mora a duas ruas da minha casa - "e a gente nunca se viu?!" "pois é, que coisa louca". Ainda mais depois de me fechar tão bem para tudo e todos.
Ali estava eu, andando meio perdida pelo shopping, procurando o cinema, indo encontrar um cara que eu tinha conhecido há dez dias, numa noite tediosa, e tinha depositado todas as minhas fichas e piadinhas pra quebrar o gelo e esperanças e medos e sentimentos guardados há muito no fundo do armário.
A cada passo meu coração batia mais forte, com a ideia de que uma hora teria que parar de andar e encarar um rosto que talvez não fosse o que eu imaginava - fotos sempre enganam, não é? -, mas acima dessa, a ideia de que aquele cara estaria ali, provavelmente tão nervoso quanto eu, depois de termos compartilhado tantas palavras e risadas e planos.
Era uma ideia boba, a de que aquilo era o início de algo, mas era uma ideia tão certa naquele momento, que eu só me preocupava em parecer legal, fazer as piadas certas, não ser tão esquisita, rir dos comentários bobos, segurar o medo e seguir em frente.
De frente pro cinema eu me sentia uma idiota, nervosa por uma coisa tão normal quanto encontrar um cara. É a coisa mais normal do mundo, não tem motivo pra ficar tão ansiosa, para de tremer, merda, meu rosto ta ficando quente, eu devo estar toda vermelha, merda, cadê ele?
Os olhos grudados no celular, na esperança de que não denunciassem meu nervosismo, me impediram de vê-lo chegando. Foi ele que me viu primeiro. Foi ele que avisou que estava logo atrás de mim. Fui eu que tive que me virar pra encontrar ele. Esse não era meu plano. Meu plano era chegar de fininho, ver tudo de longe, e depois me aproximar com um sorrisinho e dizer que ele tinha chegado muito cedo. Mas fui eu que tive que virar, com o coração batendo a mil, pra ver o tal rosto, todo vermelho, me olhando a distância. Era diferente da foto, mas eu gostei. Gostei porque era ele, afinal. Gostei porque já gostava, porque já esperava o "bom dia" todos os dias de manhã, porque já contava com o "Lari, vou dormir" pra poder dormir também.
A verdade, eu acho, é que eu já tinha me entregado muito antes daquilo. Acho que me entreguei quando respondi o elogio sobre o meu cabelo... Ou quando perguntei se ele tinha alergia a gatos.
Ele veio andando devagarinho, com uma carinha estranha, as bochechas muito vermelhas, e eu não tenho ideia da cara que eu estava fazendo, mas acho que estava sorrindo. E nervosa como sempre, dei um oi frouxo, evitando a qualquer custo olhar pra cima, encarar aqueles olhos que me analisavam, porque odeio me sentir observada, odeio primeiros encontros, odeio não superar as expectativas, odeio ficar com manchas vermelhas no colo, odeio não saber o que fazer com as mãos. Ele também não sabia o que fazer com as mãos, nem comigo, nem com ele mesmo.
A gente parecia muito diferente, ele nerdzinho carente e eu toda explosiva, reclamona, mas naquele momento nós dois éramos dois adolescentes envergonhados, que não sabíamos pra onde ir e nem o que falar.
Fico triste sempre que lembro disso. Porque eu lembro que não o recebi com um abraço apertado, que recusei um beijo no cinema, que fiquei tão nervosa que fui fria em alguns momentos, quando na verdade tudo o que eu queria era mergulhar de cabeça em alguém que também quisesse mergulhar de cabeça em mim.
Mas também me pego sorrindo quando lembro dele olhando pro meu pescoço, perguntando se eu estava com alergia e rindo ao me ouvir dizer que eu fico vermelha quando estou nervosa, mas que ele não podia rir de mim porque estava vermelho também.
Sempre me rende um suspiro lembrar da sua voz, naquele tom baixinho, me perguntando porque eu estava nervosa, pedindo desculpas por ter comprado os ingressos pro filme errado - "falei pro meu amigo que ia ver Hitman...", "você ia ver o que?", "Hitman...", "mas não é Hitman! é Missão Impossível, por causa do Simon Pegg!", "ta de sacanagem? meu deus, desculpa... mas você tava comigo, você não viu na tela?", "não, eu tava muito nervosa e não consegui ler o que tava escrito!", "meu deus, e agora? desculpa desculpa desculpa" -, me agradecendo por encostar no seu ombro...
Meu coração sempre pula uma batida quando eu lembro do beijo no canto da boca, ou quando releio a parte em que, depois de me deixar em casa, ele diz que meu cheiro ficou na camisa dele e que ele queria que tivesse ficado mais... mais do cheiro e mais de mim.
Eu também queria que tivesse ficado mais dele.