Meus olhos se abrem, os cílios grudados uns nos outros, a visão embaçada, me impedindo de ver o que tenho em minha frente. A luz do sol entra timidamente no quarto, iluminando velhos e novos objetos com seu brilho dourado. A janela está fechada, o vidro azulado dando um reflexo estranho para as coisas. Tudo parece frio, como se estivéssemos congelados no tempo, todos mortos. Aperto os olhos, coçando vagarosamente minhas pálpebras oleosas. Tornando a abri-los posso te distinguir no meio de todas as outras formas.
Sinto um formigamento estranho em meu peito, quase como um bater de asas, enquanto observo sua face calma. É amor, eu penso. As borboletas em meu peito concordam, batendo lentamente suas asas, fazendo cócegas em meu coração aflito. Cócegas que logo se transformam numa dor fina, persistente. Fecho os olhos e você continua ali, como uma estátua de cera, guardada em minha memória. Eu te tenho... E como dói...
(continua...)
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