Mãos grandes e firmes percorreram seu corpo
até chegar a barra de sua camisa. Dedos longos passearam por sua barriga,
percorrendo o curto caminho até o cós de sua calça, seu botão e seu zíper. O
barulho da respiração dos dois era a única coisa que podia ser ouvida, além dos
risos tímidos que a garota soltava entre os lábios do rapaz. Suas línguas
brincavam uma com a outra incansavelmente, hora ou outra se separando para que
ele pudesse beijar seu pescoço, colo e seios. Ela, de olhos fechados, sentia tudo
como se fosse sua primeira vez.
Tirou sua camisa, jogando-a no chão e
chutando-a para longe. Seus seios inchados e redondos cabiam perfeitamente naquelas
mãos, ficando marcados por suas unhas. Ela o puxou mais para perto, arranhando
suas costas enquanto ele mordia seus mamilos rígidos e tirava sua calça. Logo
seus dedos longos estavam em sua virilha, e pouco depois, ainda por cima da
calcinha, em seu clitóris. Ela gemeu baixo, inclinando levemente a cabeça para
trás.
- Tira. – ele pediu, afastando-se um pouco
da garota, que sorria ainda sentada na mesa. Seus pés tocaram o chão frio e ela
sentiu seus pelos se arrepiarem. Tirou a calcinha devagar, olhando para ele.
Seus olhos verdes a acompanhavam, e não demorou muito para que ele a pegasse no
colo e a colocasse na cama. Deitou-se sobre ela, sentindo o corpo quente contra
o seu, e voltou a beijá-la.
Ela sentia seu coração bater com força
contra seu peito, os olhos fechados, as costas se arqueando enquanto ele
brincava com seu clitóris. Sua respiração ofegante hora ou outra era
interrompida por gemidos. Ele a penetrou rapidamente com dois dedos enquanto
sentia seu clitóris inchar sob seu polegar e não demorou muito para que ela
gozasse, soltando gemidos baixos e arqueando as costas. Suas pernas tremeram
por não mais que trinta segundos e ela começou a sorrir, abrindo os olhos para
encará-lo.
Respirou fundo ao encontrar aqueles olhos verdes
fixados nos seus, um sorriso torto brincando em seus lábios. Ele aproximou-se
devagar, encostando seus lábios nos dela para depois percorrer sua extensão com
a ponta da língua e só depois procurar a dela.
Ela o guiou para dentro de si e pôde sentir
cada centímetro seu enquanto ele a penetrava devagar. Os dois corações batiam
rapidamente um contra o outro e ela afundava suas unhas em suas costas suadas.
Os olhos fechados a permitiam apreciar o momento de uma forma que ela nunca
tinha feito antes. E também a faziam lembrar-se de coisas que ela não gostaria.
Como o garoto do outro lado do oceano. Seus
olhos castanhos, delineados por cílios grandes e negros, brilhando sob a luz da
rua que entrava pela janela e iluminava fracamente a sala onde os dois,
deitados no sofá, faziam amor pela primeira vez. Não sexo. Amor. Seus olhos
ainda estavam inchados por causa das lágrimas e ela sentia seu coração se
desfazendo aos poucos. Queria abraçá-lo e não soltá-lo nunca mais. Queria que
ele fizesse parte dela, que fossem só uma pessoa. Sentia o desespero invadir
seu corpo enquanto ele afundava o rosto na curva de seu pescoço.
Abriu os olhos.
Suas costas suavam contra os lençóis
amassados da cama do garoto que agora a penetrava com força, puxando seus
cabelos longos e desarrumados. Ela gemeu contra seu ombro, apertando seus
dentes contra o mesmo enquanto ele mordia o lóbulo de sua orelha.
- Quero gozar na sua boca. – ele disse
depois de um tempo, levantando a cabeça para olhar nos olhos da garota enquanto
aumentava o ritmo das estocadas. Ela sorriu fraco e assentiu com a cabeça,
sentindo-o sair de dentro de si rapidamente. Ele ficou de joelhos na cama e ela
se inclinou para a frente, abrindo a boca e focando seu olhar no dele.
O gosto amargo de seu gozo invadiu sua boca
e desceu rapidamente por sua garganta. Respirou fundo, deixando-se cair na
cama. Ele deitou ao seu lado, puxando a garota, que encostou a cabeça em seu
peito e se permitiu ouvir as batidas rápidas de seu coração. Não se pareciam
nada com as outras batidas que tinha ouvido, que soavam como música e que
faziam seu coração bater mais forte.
Sentia-se vazia, leve, como um pássaro moribundo.
Impedido de voar, preso ao chão, fadado ao esquecimento. Suas penas oleosas
espalhadas pelo asfalto quente enquanto o mundo continuava girando. Era só um
pássaro... Era só uma garota matando sua solidão com um desconhecido. Só um
rosto que não significava e nunca significaria nada além de uma lembrança no
meio de tantas outras.
Não sentia vontade de chorar, por mais que
quisesse. Sentia somente um nó crescente na garganta, uma angústia capaz de
estrangulá-la. Prendia a respiração hora ou outra, ainda deitada no peito
quente do rapaz, que nada percebia.
Fechou os olhos.
Ela sente o cheiro forte de bebida quando os
dois se deitam na cama, depois de uma longa noite de problemas e decepções. Seu
cabelo cheira a cigarro. Estão sozinhos em um apartamento pequeno e longe de
casa, mas eles não se importam, pois têm um ao outro. E é isso que a faz virar
o rosto para encará-lo. Seus olhos se encontram, brilhantes sob a luz da lua
fraca que invade o cômodo. Ela poderia ficar assim para sempre... Contando
que fosse com ele.
A cena muda. A garota encontra os mesmo
olhos castanhos de outrora. Dessa vez, molhados por lágrimas. O cenho franzido,
lábios curvados num sorriso triste, quase como uma careta. Sua boca estava
entreaberta, como se ele se preparasse para dizer alguma coisa. Ela estava
sentada na sua frente na cama, colocando o coturno. “Por favor, não faz isso”,
ele pediu, a voz trêmula. Segurava a foto dos dois com tanta força que as
pontas dos dedos chegavam a perder a cor. Os olhos da menina estavam fixados no
guarda-roupa, seu semblante sério. As sobrancelhas levemente arqueadas
ironizavam cada palavra que saía de sua boca: “Fazer o quê? Foi você quem fez
tudo, não se lembra?”
E então ela decide abrir os olhos e encontrar
mais uma vez aqueles olhos verdes que nunca a decepcionariam, porque, afinal,
nunca significariam nada. Eles se fixam nela e ela sorri.
- Você por cima? – ele pergunta, as
sobrancelhas levantadas, o mesmo sorriso torto de antes brincando nos lábios
finos.
- Claro.

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