domingo, 11 de novembro de 2012

You Can Be Me When I'm Gone


Tomei três banhos numa tentativa fracassada de me limpar de mim. Eu me sinto uma enorme camada de sujeira difícil de ser limpa. Passo meus dias tentando me limpar, tentando tirar todo esse desconforto de mim. A sensação de fracasso e o eterno gosto amargo na boca só crescem mais a cada dia, fecham minha garganta e me impedem de respirar. Engasgo em minhas lágrimas de arrependimento por ter me deixado envolver em algo tão impuro como eu mesma. Como pude me deixar levar por algo tão complexo eu ainda não consigo explicar.

Não consigo explicar nem mesmo onde estou. Tudo parece uma grande mentira. A realidade me vem aos olhos como uma cena por trás de um vidro embaçado, onde não vejo nada além de vultos e sombras. A verdade parece estar tão distante quanto todo o resto, como se o dormir fosse o acordar. Como se minha vida estivesse presa em sonhos que acabam com o abrir dos meus olhos e não se repetem mais.

Lembranças se perdem e eu não consigo mais me concentrar em nada além da minha dor. Nada além do sangue escorrendo por meus braços e pingando no chão. Eu não posso mais viver em mim.

Essa pele não é a minha, esse corpo não se encaixa com o que tem dentro de mim. Eu não caibo em mim e não sei se caberia em algum lugar... 

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