sexta-feira, 27 de abril de 2012

Era outono e eu contava os dias




Quantos anos já se passaram? Cinco? O tempo passa tão rápido. Num momento você está aqui e no outro eu já não sei nem mais quem sou ou o que estou fazendo.


O que eu estou fazendo aqui?

Eu me lembro bem. Era outono e eu contava os dias, como sempre contei, pra te ver de novo. Era outono e você destruiu tudo como tinha destruído no inverno. E na primavera. E no verão. Você sempre dava um jeito de foder com tudo.

Era outono e eu me perguntava como tinha aguentado tanto tempo. Eu me lembro que doeu. Doeu mesmo. Mais do que qualquer outra coisa que eu já tinha sentido. E você sabe... Eu já tinha sentido demais. Passei tanto tempo com o rosto afundado no travesseiro que cheguei a pensar que nunca mais fosse conseguir tirá-lo.

Eu passava os dias vendo você online. “Fala comigo”, eu pedia mentalmente, mas aí me lembrava que você estava bloqueado e que eu não devia esperar nada. Até que um dia você não ficou online nunca mais. E eu soube que aquilo era, de fato, o fim. “Cansei”, você me disse.

Sem palavras, mas disse.

Cinco anos se passaram. Segui minha vida... Ou pelo menos o que sobrou dela. Não foi muita coisa, admito. Praticamente nada. Gosto de dizer que comecei do zero. Minto pras pessoas dizendo que queimei todas as fotos, deletei tudo meu na internet, passei a frequentar novos ambientes, conheci novas pessoas. Mas como disse, minto.

A verdade é que eu nunca desisti. Nunca consegui fazê-lo. Ou nunca quis. Eu não sei. Tanto faz. Tanto faz é o que eu sempre penso. Minha vida virou um grande tanto faz desde que eu deixei você ir, naquele outono. A verdade, também, é que foi você quem me deixou ir. Mas tanto faz.

Cinco anos se passaram e eu continuo esperando junho chegar, mesmo sabendo que nada demais vai acontecer. Há cinco anos nada demais acontece, seja em junho ou em qualquer um dos outros onze meses do ano. Eu continuo planejando coisas que nunca vão se tornar realidade, porque você não está aqui.

Gosto de pensar que um dia vou te encontrar no trem, com sua calça jeans apertada e sua camiseta de banda. A barba vai estar preenchida como sempre foi e o cabelo, um desastre. Seu cabelo sempre foi um desastre sem mim. E aí você vai olhar pra mim e me reconhecer, e pensar “caramba, como eu deixei essa mulher ir embora da minha vida?”. E eu vou sorrir pra você, porque eu nunca resisto a esse seu olhar tristonho, e vou fingir que eu estou bem... Vou fingir que tenho uma vida, que o vazio que você deixou foi preenchido por alguma outra coisa ou pessoa. Vou levantar. "A próxima é a minha". E vou descer.

E vou ficar parada vendo o trem indo embora, como sempre. Parada, vendo você me escapar pelos dedos como areia. Como sempre.


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Abril de 2012

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