segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Stand Inside Your Love


“Eu vou morrer logo.
Mas os últimos vinte minutos foram os melhores anos da minha vida.”
Golias – Neil Gaiman


Meus olhos se abrem, os cílios grudados uns nos outros, a visão embaçada, me impedindo de ver o que tenho em minha frente. A luz do sol entra timidamente no quarto, iluminando velhos e novos objetos com seu brilho dourado. A janela está fechada, o vidro azulado dando um reflexo estranho para as coisas. Tudo parece frio, como se estivéssemos congelados no tempo, mortos. Aperto os olhos, coçando vagarosamente as pálpebras oleosas. Tornando a abri-los, posso te distinguir no meio de todas as outras formas. Você dorme, a expressão tranquila como sempre. Vulnerável, permito-me observar seu peito subindo e descendo, permito-me entrelaçar meus dedos em seus pelos... e me aproximo. Vejo todos os quilômetros que nos separavam tornando-se nada enquanto meus olhos se fecham e se abrem de novo.

Dessa vez, eles encontram os seus, tão castanhos como eu me lembrava. Posso ver todos os traçados de suas íris, embora deseje ver todos os traçados de sua alma. Permaneço calada, ouvindo sua respiração e a sentindo contra minha bochecha.

Você vem ao meu encontro, um sorriso bobo nos lábios, e me abraça forte, beijando meu pescoço. Temos todo o tempo do mundo. Podemos ser tão felizes quando sempre sonhei. Sinto seu cheiro, enquanto as outras pessoas no aeroporto sentem o peso de suas malas, cheias de lembranças e saudades, como já te vi fazer outras vezes.

Seu braço se aperta em minha cintura e eu sorrio, sem mostrar os dentes; sorrio, mais com os olhos que com a boca, e espero que você consiga lê-los. Minha mão sobe e desce junto com seu peito...

Deitamos na cama, finalmente, depois de todos os problemas da noite, e posso sentir seu corpo junto ao meu. Meu cabelo cheira e cigarro e você cheira a bebida, mas não nos importamos. Estamos sozinhos em um apartamento pequeno, longe de casa, mas temos um ao outro. De todas as formas. Eu me viro para você e encontro seus olhos, brilhantes sob a luz fraca da rua que invade o cômodo.

... E você me retribui o sorriso, chegando mais perto e pressionando minha cabeça contra seu coração. Posso ouvi-lo dizer que sentiu minha falta, enquanto bate rápido contra seu peito.

Sinto-me tão segura.

Como se nada pudesse nos separar. Nem mesmo todos os quilômetros, nem mesmo todas as festas e bebidas e garotas e problemas.

Mas eles podem...

Meus olhos ardem e meu coração se fecha mais uma vez, como sempre se fecha ao te ver partir. Você me deixa sozinha, visão embaçada, tocando o lado ainda quente da cama. Aperto os olhos, ouvindo as batidas do meu próprio coração.

Dessa vez não te peço para que não me esqueça, mas para que pelo menos se lembre de mim.

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