Deitei no chão e chorei, enquanto a
escuridão, deitada na cama, me olhava com olhos brilhantes e me acariciava,
seus dedos finos entre meus cabelos. Eu ali, de bruços, peito e cara no piso
frio, sentindo a desgraça de amar e não ser amada, de doar e não receber, chorei.
Sem me importar com beleza ou aparência,
vomitei a mim mesma naquele chão frio que acolhia minha carcaça, morta, inútil.
As lembranças nada eram além de segundos do passado, borrões sem importância. Ali,
vomitada no chão, minha alma chorava, sangrava por todos os poros. E eu, que me
conhecia tão bem, me perdia nas tentativas de me expressar além das palavras
ditas para mim mesma, além dos cortes fundos e dos soluços sem destino ou
direção.
Chorava. Chorava perdida e desamparada, vomitada
no chão do quarto. Chorava enquanto a escuridão me consolava com seus olhos
tristes e dedos finos. “Acalma-te, filha minha, que tu nunca estarás só enquanto
tiveres a mim.”
Nenhum comentário:
Postar um comentário