segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Dia 5/Dia 3

Passei na frente da sua casa. Quer dizer, quase na frente. Passei na rua do lado, mas tem uma travessa nela que me deixa ver a sua casa e a sua garagem. Vi seu carro lá. Lembrei de quando você chegou aqui naquela quarta-feira e pediu pra eu sair logo de casa. Ao mesmo tempo lembrei que você chegou em casa uma da manhã outro dia e eu ainda estou morrendo de ciúmes, por mais que eu não possa, tecnicamente, sentir ciúmes de você. É um saco isso de ter que fingir que não tô ligando muito, quando na verdade estou eternamente angustiada com essa tua teimosia e inconstância. Não consigo ser assim. Não consigo simplesmente me fechar depois de me abrir, e eu me abri pra você sem perceber. Agora não sei o que fazer. 

Eu queria te dizer tanta coisa, queria poder te fazer um cafuné de vez em quando, com sua cabeça no meu colo, enquanto você faz carinho na minha perna e ri das coisas sem noção que eu falo sempre que to perto de você. Queria que você notasse o quanto eu fico nervosa quando te vejo, porque não é tão difícil notar isso quando meu pescoço está todo vermelho e eu insisto em olhar pro chão pra não ter que assumir nada com os olhos. Ai, como eu sonho com tudo que a gente poderia ser. 

Todos os dias eu penso em alguma coisa engraçada pra falar e chamar tua atenção, mas engulo minha vontade em nome do orgulho, e deixo pra lá. Só por fora, porque por dentro eu estou gritando que caramba, eu não vou te machucar, para de ter medo de mim, se entrega logo porque eu seguro a barra, aceita que eu quero de verdade, por mais que eu diga que não quero só pra combinar com o teu não querer, mas para de ser idiota e aceita que eu to aqui e não vou meter o pé quando tiver entediada. Não é segurança que você quer? 

Só não me deixa esperando, já to de molho a muito tempo. Já tá ficando frio aqui fora e eu queria poder deitar e dormir sem pensar que você tá de saco cheio de mim porque eu reclamo do calor, reclamo do frio, reclamo de você não me querer, reclamo de você me querer só às vezes. Me deixa acordar com uma notícia tua, você dizendo que é um idiota por me deixar aqui, que tá vindo aqui em casa pra gente terminar aquele maldito filme que a gente não terminou da última vez, que eu vou ter pelo menos mais uma chance pra gravar teu rosto definitivamente, sem ter que recorrer às lembranças das últimas vezes. Me deixa ter você só mais um pouquinho.

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