domingo, 13 de dezembro de 2015

Eu só queria te ver, porra

Você me olha de soslaio com seu sorriso de dentes alinhados que sempre rende um elogio ou outro da minha parte. Eu perdôo o fato de você ter vindo de chinelo, porque gostei dessa camisa larguinha do Darth Vader. Quero comentar o fato de nunca ter visto Star Wars enquanto entramos na fila, mas você está falando tão animado sobre o seu dia na faculdade que eu me perco te olhando.

Como eu gosto de você...
Desde aquele primeiro dia, quando você me agradeceu por encostar a cabeça no seu ombro enquanto a gente via aquele filme horrível. Esse tipo de coisa não se agradece, mas foi tão inocente que me encantou. Acho que foi aí, ou talvez tenha sido aqui na porta de casa, quando eu te beijei e você perguntou se eu o tinha feito porque queria.

Você mexe no cabelo, puxando um cachinho solitário, enquanto fala, nesse teu tom baixinho, que tirou nota baixa na prova, mas que ainda dá pra recuperar. Eu não estou nem aí, na verdade, porque só consigo pensar no quanto eu quero te beijar e no quanto eu quero que você queira me beijar também. Por isso eu estou calada, e você acha que eu estou chateada com o que você disse mais cedo. Eu até estou, mas tento disfarçar, como sempre.

Eu insisto em fantasiar sobre a gente. E enquanto você pede pra atendente trocar o meu refrigerante que veio errado, eu estou pensando no quanto seria legal que você fosse lá em casa qualquer dia desses, pra gente ver algum filme com o Simon Pegg e eu comentar sobre como eu gosto dele por ele me lembrar o meu pai. Ou então que você passasse por aqui enquanto passeia com as suas cachorras, pra gente andar um pouquinho juntos e trocar alguns olhares bobos.

Isso tudo passa na minha cabeça e eu estou evitando te olhar, porque não quero que você deixe de prestar atenção no trânsito pra me olhar de volta. Eu nunca sei o que você está pensando e sempre lamento isso, porque eu sou muito transparente e insisto em falar de sentimentos enquanto você evita se envolver por medo de ter que começar tudo do zero depois.

A gente é muito diferente, mas eu não deixo de ver uma pequena semelhança quando eu estou sentada no seu colo, no banco de trás do seu carro, às duas da manhã, e você aperta minha bochecha depois de me beijar e diz que não sabe o que fazer, porque tem que me levar em casa mas não quer que eu saia dali. E eu rio, porque esse é você de verdade, e eu queria que você nunca tivesse deixado de ser assim. Esse você é o que mais parece comigo... Que também não quero sair do seu colo e ter que me despedir, porque eu sei que depois de hoje você vai se esconder mais de mim, e eu só queria poder te encontrar.

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