Te escrevo com antecedência porque já conheço o desfecho do dia. Tinha guardado, enquanto andava pela Urca, coisas bonitas pra dizer, mas acho que nada dura muito tempo nesse calor de 40° que está fazendo por aqui.
Ontem eu fiquei pensando que começaria o texto de hoje em tom derrotista, lamentando a falta que você me faz nessas tardes tediosas na biblioteca, falando sobre como eu fui um fiasco na prova de Estatística e como estive pensando no quanto a tatuagem que eu queria fazer se encaixa com a situação de agora.
Mas está muito quente - eu até prendi o cabelo - e tem começado a me dar vergonha o fato de eu estar te escrevendo todos os dias como se você ainda estivesse na minha vida (se é que algum dia esteve). Eu tenho que aprender a deixar pra lá... Deixar de sentir um pouco e permitir que a vida substitua certas lembranças. Como a lembrança de você encostado na porta do carro, puxando uma mecha do cabelo e sorrindo.
Um dia a vida vai apagar seu rosto da minha memória e eu vou lembrar só desse sorriso, com um certo incômodo no peito e um pouquinho de saudade do que eu idealizei de nós dois.
Talvez eu tenha mesmo que deixar isso acontecer. Mas, ah, menino, como eu queria que você soubesse...
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