terça-feira, 10 de janeiro de 2012

It's never easy to say goodbye


Passou a mão sobre os olhos numa tentativa boba de secar as lágrimas que insistiam em cair. Fungou baixo, olhando para o garoto abaixado na frente da cômoda, de costas para ela. Segurava a caneta com força, escrevendo nervosamente no papel branco. Levantava a cabeça e respirava fundo vez ou outra, como se procurasse alguma inspiração ou tentasse se lembrar de alguma palavra. Ela não pôde deixar de sorrir, desviando lentamente o olhar para a janela do quarto.

Queria conseguir agir de forma diferente, sem ficar chorando e desejando que o tempo não tivesse passado tão rápido, mas não conseguia. Detestava ser fraca na frente das pessoas e detestava mais ainda mostrar o quanto era fraca na frente dele. Sentia-se estúpida, como se não fosse capaz de aproveitar os últimos minutos ao seu lado por estar ocupada demais se debulhando em lágrimas.

Fechou os olhos com força, encolhendo-se na cama bagunçada. Sentia o corpo tremer, embora não estivesse frio. O garoto dobrou o papel sobre a cômoda e virou-se para ela, a expressão de tristeza carimbada no rosto. Ficou de pé e aproximou-se lentamente, como se pedisse um espaço ao seu lado na cama. Ela sorriu fraco, encostando-se na parede e puxando-o para sentar também.

Os braços quentes do garoto envolveram sua cintura, puxando-a para perto até que fosse possível encostar a cabeça em seu peito e ela não demorou a fazê-lo, deixando, finalmente, que os soluços viessem. Sentia o coração apertar no peito, como se fosse explodir a qualquer momento. Nunca pensou que fosse ser tão difícil deixá-lo ir, ficando somente com a incerteza do que seria o amanhã.

- Eu não quero ficar longe de você. - ele disse, quase num sussurro, o que a fez levantar a cabeça para olhá-lo. Viu uma lágrima deslizar rapidamente por seu rosto e fez questão de secá-la.

Queria dizer alguma coisa, qualquer coisa, nem que fosse alguma frase estúpida só para fazer aquele momento um pouco menos infeliz. Chegou a abrir a boca algumas vezes, mas não conseguia fazer com que nada saísse dela. Preferiu permanecer calada, presa em seus pensamentos, fingindo não ter ouvido a frase. Sabia que ia se arrepender daquilo depois, mas, como sempre, se prendeu ao pensamento positivo de que ainda tinha algum tempo, de que aquilo ainda não tinha acabado.

Permaneceram abraçados, ouvindo as batidas do coração um do outro, como se pudessem memorizá-las, talvez para ouvir mais tarde, quando a saudade apertasse e a realidade recaísse sobre seus ombros.

Até mesmo no carro, enquanto pegavam o caminho para a casa da garota, permaneceram calados, somente as mãos se segurando com força, como se houvesse alguma possibilidade delas nunca mais se soltarem. Queria ela que fosse possível, que pudesse ficar ao lado dele por quanto tempo quisesse, e não por quanto tempo fosse determinado. Queria poder abraçá-lo a hora que quisesse, sem aquela sensação horrível de estar presa no tempo, implorando aos céus para que o tempo passe logo e ela possa vê-lo de novo.

As lágrimas insistiam em embaçar sua visão e ela resistiu o quanto pôde, tentando se mostrar ao menos um pouco forte na frente de todos. Não sabia de onde vinha aquela maldita mania de querer esconder os sentimentos, mas não conseguia evitar. Quando o carro parou e ela soube que era hora de se despedir, a única coisa que conseguiu fazer foi abraçá-lo com força uma última vez e sair do carro o mais rápido possível.

Estava quase fechando a porta quando o viu esticar a mão e oferecer-lhe um pequeno papel. Ela forçou um sorriso e o pegou, tocando pela última vez em seus dedos e olhando uma última vez em seus olhos.

Deixou que a porta se fechasse e permaneceu ali, na beirada da rua, olhando para dentro do carro e para o asfalto quando ele se foi. As lágrimas deixaram de ameaçar e finalmente caíram, fazendo-a fechar os olhos com força e abraçar o próprio corpo para proteger-se do frio repentino que sentia.

Abriu o papel com dificuldade, vendo as lágrimas caírem e se misturarem com a tinta, formando pequenos borrões. Nele, em letras pequenas e tremidas, ela pôde ler o princípio de uma carta: “I still have a reason...”

Soluçou alto, tampando o rosto com a mão livre. Não se importou com as pessoas que passavam olhando e muito menos com a chuva que começava a cair. Olhou para o final da rua, imaginando que o carro ainda estivesse ali e resistindo a vontade de correr até onde fosse possível vê-lo. Queria ter tido a coragem de dizer o quanto ia sentir sua falta. Queria ter dado a si mesma a chance de se despedir. Queria dizer que ela também tinha uma razão... E só uma.

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Janeiro de 2012

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