- Eu tenho me sentido tão morta por dentro. – ela murmurou, seu olhar perdido em algum ponto fixo da parede, como se desejasse que houvesse alguma coisa lá. Um suspiro cansado escapou de sua boca e logo seu olhar moveu-se para o chão, onde ela podia ver os pés do rapaz próximos aos seus. – É difícil não conseguir sentir nada. É pior do que sentir tristeza. – a voz, aguda de repente, denunciava a vontade que tinha de chorar, por mais que não conseguisse.
As mãos balançavam fracamente ao lado do corpo, como se esperassem por algo – alguém – para pegá-las antes que parassem completamente. O nó na garganta parecia crescer cada vez mais e junto com ele a vontade de deixar que as palavras finalmente saíssem de sua boca... As palavras que tinha guardado por tanto tempo e a feriam cada vez mais, como as lâminas afiadas que usava para proporcionar dor a si mesma, a fim de se sentir viva.
Sabia que não funcionava. Sabia que todas as vezes que cortava a própria pele as coisas só pioravam, mas não conseguia parar. Era como um vício bom, daqueles que você não quer deixar de ter, porque, apesar de tudo, é a única coisa que você tem. Aquilo era a única coisa que havia sobrado.
(...)
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Outubro de 2011
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