segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Tenho sorte até demais

Eu não me lembro ao certo quantas vezes eu pensei em você nos últimos dias. Sei que é estranho, repentino, mas eu não consigo evitar. Acho que é porque eu estou feliz... E me incomoda saber que você também está. Sabe, passei tanto tempo sem pensar em como teria sido que quando eu finalmente decidi fazê-lo percebi que nos perdemos um do outro com muita facilidade. Provavelmente nunca mais nos encontraremos. E eu nem sei se você pensa em mim.

Não quero que pense, pra falar a verdade. Já é bastante perturbador ter você como o meu maior “e se...”. Não quero que você se torne algo como uma alternativa para essa realidade complicada que eu estou vivendo. Entende? Às vezes eu imagino como teria sido se eu não fosse tão criança na época... Você sabe. Imagino como as coisas teriam acontecido... E também me pergunto se você me trataria exatamente como no começo ou se seria aquele cara estúpido que se tornou conforme os meses se passaram.

E eu quero que fique só na imaginação. Porque eu sou fraca, você sabe. Desisto fácil... E agora, feliz, eu to numa coisa difícil de levar. Complicada demais... E eu sei que posso levar adiante, sei que consigo fazer isso se eu realmente quiser. E eu também sei, como você também sabe, que se aparecer uma alternativa eu vou acabar perdendo um pouco disso que eu estou sentindo.

Eu me perco fácil. Pra falar a verdade, eu me perdi há exatamente um ano e ainda não consegui me encontrar. Eu me olho no espelho e vejo a mesma imagem que eu via naquela época, mas por dentro está tudo tão confuso e escuro que eu fico me perguntando onde aquela garota cheia de sonhos e esperança está numa hora dessas. Chego a ficar mal, imaginando que ela está perdida dentro da minha cabeça. Logo a minha cabeça, tão escura e sombria.

E você é só mais uma dessas lembranças tristes que de vez em quando voltam com força para me fazer pensar no quanto eu era diferente do que eu sou hoje. Não queria que fosse assim... Eu queria poder pensar em ti como um momento feliz do meu passado. Só isso. Porque, não sei, parece que você tinha tanto a me oferecer e vice-versa. Pode ser que eu esteja enganada, mas é uma coisa que eu não tenho como saber. Acho que me contento com essa idéia de “poderia ter sido diferente”.

Vai passar. Quer dizer, essa situação desconfortável de me pegar pensando em você, quando na verdade eu deveria estar pensando na pessoa que está me oferecendo tudo o que eu sempre quis ter. Na verdade, acho até que está passando. Sei que de vez em quando seu rosto vai aparecer na minha mente, mas não vou permitir que seja mais que isso. Não vou permitir que o que enche meu peito quando essa imagem aparece seja saudade. Não vou permitir que essa minha realidade se perca por uma pessoa que nunca demonstrou mais do que simples afeto. Não quero só isso. Nunca quis.

Mas também não vou permitir que seja raiva. Nunca será. Você por muito tempo foi um sonho, algo que eu desejava como se fosse segredo. E foi bom. Foi bom saber que tinha alguém por quem eu podia sentir alguma coisa naquela época. Porque você sabe, naquela época o mundo era cinzento e tudo o que eu sentia não durava mais que uma semana, exceto a tristeza, que parecia permanente.

E eu sei que a culpa não é tua. E nem minha. A culpa é do tempo, que não permitiu que nos encontrássemos depois. 

De qualquer forma, o tempo passou e as coisas nunca vão voltar a ser como eram antes. E nunca serão como poderiam ter sido um dia. Mas tudo bem... Pelo menos sei que você foi de verdade, que você é de verdade... E que por mais que esteja no passado e eu não queira que esteja no presente e muito menos no futuro, não deixarei de ver tua foto com um sorriso no rosto.

Tenho o que ficou. E sei lá, sinto que tenho sorte até demais, por ter encontrado uma pessoa que me faz bem, que me tirou daquele poço que eu me encontrava. E eu sei que você também tem, por ter encontrado exatamente a mesma coisa. Que sejamos felizes. 

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Janeiro de 2011

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