sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Tenho que ir

"Eu não quero morrer, só quero deixar de existir por um tempo."

É a definição que eu encontrei para essa minha necessidade de ir embora. Eu não aguento mais. A faculdade, o estágio, meu quarto bagunçado, meus amores fracassados. Me disseram que é assim mesmo, que quando a gente cresce a rotina começa a esmagar a gente. Mas eu não quero sentir esse peso cada vez maior no peito sem poder fazer nada.

Eu prometi pra mim que eu iria escrever sobre as coisas que eu sinto, porque talvez isso ajudasse a aliviar um pouco dessa angústia. Mas a verdade é que não importa o quanto eu escreva... Eu ainda chego em casa todos os dias com a sensação de que não cabe mais nada em mim, mas que ainda assim me falta alguma coisa.

Eu tento, juro que tento. Tento manter a cabeça levantada, o sorriso no rosto, as lâminas velhas bem longe dos meus pulsos. Eu tento. Tento pensar que é assim mesmo, que isso é só aquele período de luto do qual falam os psiquiatras, que uma hora vai passar, como sempre passa.

Por mais que eu tente, e por mais que eu saiba que vai passar, eu não consigo deixar de pensar que ainda virão outros. Virão outros como o Natan, o Eduardo, o Matheus, o Gabriel, o Roberto...

Outros virão e eu vou ficar, porque eu sempre fico. Sempre fico... e cada vez com menos de mim.

Só que eu não quero mais ficar, não quero.
Não posso.