sábado, 18 de junho de 2016

Que seja

É solitário demais ser a pessoa que sempre fica pra trás. Talvez seja mesmo minha culpa, mas o que eu posso fazer por mim além de ser eu mesma?

Eu queria que você pagasse pra ver que esse meu jeito bobo é só minha forma de me proteger do mundo todo, que sempre me deixa de lado quando o assunto é ser feliz. Eu queria que esses teus olhos azuis me enxergassem além da minha camada de medo e autodefesa.

É solitário lutar sozinha, embora eu saiba que é sozinha que eu devo lutar contra a minha resistência idiota ao mundo real.

No mundo real teus olhos azuis estão focados em outro alguém. Outras mãos passeiam pelos teus cabelos ruivos. Outras pessoas aproveitam as oportunidades que eu perdi ao deixar minha mão longe da tua, meu olhar no chão, meu coração fechado demais para quem quisesse entrar.

A culpa é minha. Eu sei. Eu assumo. Mas é difícil mudar quando os rostos e as vozes e beijos mudam, mas o resultado é sempre o mesmo: eu aqui, vocês todos indo embora.

domingo, 1 de maio de 2016

Estar apaixonada não é como eu me lembrava: acho que as borboletas no estômago deixam de bater as asas com tanta vontade depois de um tempo. Talvez seja comigo o problema, talvez eu tenha endurecido um pouco. A ideia era não perder a ternura jamais, mas depois de algumas decepções acho que a gente se permite sentir menos. Ainda que esse "sentir menos" para mim ainda seja sentir demais.

Eu ainda idealizo demais, sonho demais, desejo demais. E isso, sim, é exatamente como eu me lembrava. A sensação de gostar de alguém mudou, não me causa mais aquela euforia toda, mas acho que minha vontade de ficar nunca vai mudar.

Antes, me doía pensar na despedida. Hoje ainda dói, mas eu aprendi a balancear essa dor com o prazer de estar deitada ao seu lado, com a mão perdida no seu cabelo, enquanto você, concentrado no filme, me faz um carinho meio desajeitado. Aprendi a apreciar as oportunidades que vez ou outra a vida me dá de te ter por perto.

Ainda não sei muito, mas agora acho que estar apaixonada é muito mais que pensar: é sentir, na pele (assim tão real, tão na superfície), um calor bom ao te ver sorrir, ainda mais quando você sorri para mim. É uma dorzinha boa, lá no fundo do peito, que me dá ao observar seu rosto de perto e perceber que o seu olhar busca em mim algum motivo pra ficar.

E eu te dou. Dou esses motivos numa risada, num abraço apertado, num beijo entre todos os outros beijos. Pode ficar. Meu coração te espera como quem espera um trem de volta pra casa: cheio de saudade e uma certa angústia por estar tão longe.

- 04/04/16

Coisas que não posso te dizer ao pé do ouvido

Ah, se você soubesse... É tão puro o que eu sinto por você, e por esse teu riso frouxo, de dentes perfeitinhos. São coisas que eu ainda não posso te dizer, mas que eu sinto a necessidade de registrar, porque assim eu não me esqueço. Assim, eu posso viver de novo esse sensação de te ter comigo, sua cabeça descansando na minha perna enquanto eu te observo na intenção de decorar os detalhes do seu rosto, como esse sinal perto da sua boca...
Eu queria te dizer, qualquer dia desses, enquanto a gente estivesse deitado na cama, você tentando chamar minha atenção, eu tentando não sorrir para cada olhar teu... Eu queria te dizer, poder te dizer, assim, ao pé do ouvido, o quanto eu gosto de você, e desses sorrisos bobos que você me dá, e da sua voz me mandando parar de te fazer cócegas, e dessa sua mania de morder o lábio, e desse seu cabelo sempre arrumadinho, e dessas bochechas rosadas, e até desse teu pé pequeno.
Eu adoro você, garoto, e adoro a forma como meu coração bate diante da ideia de te ver, como a minha mão encaixa com a tua, como o meu riso é fácil quando você está rindo também.

- Solta esse cabelo, para de botar ele pro lado... Tira essa unha da boca, presta atenção em mim. Eu deixei de cortar o cabelo por sua causa, mas isso é segredo. Tudo acima também.

Março 2016

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Tenho que ir

"Eu não quero morrer, só quero deixar de existir por um tempo."

É a definição que eu encontrei para essa minha necessidade de ir embora. Eu não aguento mais. A faculdade, o estágio, meu quarto bagunçado, meus amores fracassados. Me disseram que é assim mesmo, que quando a gente cresce a rotina começa a esmagar a gente. Mas eu não quero sentir esse peso cada vez maior no peito sem poder fazer nada.

Eu prometi pra mim que eu iria escrever sobre as coisas que eu sinto, porque talvez isso ajudasse a aliviar um pouco dessa angústia. Mas a verdade é que não importa o quanto eu escreva... Eu ainda chego em casa todos os dias com a sensação de que não cabe mais nada em mim, mas que ainda assim me falta alguma coisa.

Eu tento, juro que tento. Tento manter a cabeça levantada, o sorriso no rosto, as lâminas velhas bem longe dos meus pulsos. Eu tento. Tento pensar que é assim mesmo, que isso é só aquele período de luto do qual falam os psiquiatras, que uma hora vai passar, como sempre passa.

Por mais que eu tente, e por mais que eu saiba que vai passar, eu não consigo deixar de pensar que ainda virão outros. Virão outros como o Natan, o Eduardo, o Matheus, o Gabriel, o Roberto...

Outros virão e eu vou ficar, porque eu sempre fico. Sempre fico... e cada vez com menos de mim.

Só que eu não quero mais ficar, não quero.
Não posso.