sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

It feels like I’ve lost a friend

Eu queria saber em que ponto nós nos perdemos. Queria saber, porque gostaria de refazer meus passos até encontrar aquela parte nossa que ficou pelo caminho. Talvez nós já tenhamos nos perdido há muito tempo e eu estivesse andando sozinha sem ter consciência disso, mas o fato é que algo em mim ainda gritava que eu não podia olhar pra trás nem perder as esperanças; que aquele garoto de olhos tristes ainda estava ali por mim e não seguindo seu próprio caminho pelas trilhas tortas da vida sem mim.

Há tempos eu venho tendo a sensação de que falta alguma coisa, de que as pessoas que me cercam não são o suficiente e que talvez eu tivesse me perdido no caminho, mas agora tudo está tão claro que não tenho como negar: eu te perdi. E você me perdeu também.

Somos duas pessoas que não têm mais nada em comum, seguindo caminhos diferentes e fazendo questão de continuar algo que não tem futuro, seja por orgulho ou por medo de cairmos e não ter ninguém pra nos levantar. E tudo o que eu posso fazer é me perguntar: será que é sempre assim? Será que tudo termina dessa forma tão feia? Será que os próximos serão assim?  Essa falta de tudo, essa solidão que só me mostra que não tem mais como seguir em frente?

Nós nos perdemos um do outro e não importa o que você diga ou o que eu diga ou o que os outros digam, a verdade é que eu perdi um amigo e você perdeu a mim, que embora não estivesse sempre ao seu favor, estava sempre ao seu lado.

Andar sozinha nunca me pareceu tão desconfortável.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Dorian

Os olhos marejados encaravam as nuvens escuras lá fora, enquanto o vento sussurrava palavras tristes em seus ouvidos. Não trazia muito peso nos ombros e pensava consigo mesma nas vantagens de ter deixado pra trás a vida, como um casulo, grudada num muro qualquer. O vento, cada vez mais frio, lhe dizia o quanto suas marcas pareciam amenizadas, o quanto as linhas da testa eram suaves e a vermelhidão das bochechas não denunciavam nenhum sofrimento profundo. Está tudo na sua alma, era o que lhe dizia. Você é Dorian e sua alma o retrato.
E o que é você, se não o vento, e apenas ele?, ela perguntava, as lágrimas molhando o lençol sujo, borrando a maquiagem. Em delírio, via a si mesma escrita por Wilde.

A noite chegava e com ela o silêncio da cidade. Assemelhava-se ao silêncio dos mortos, para ela, semimorta na cama. O vento tinha cessado, mas dentro dela a tempestade ainda se formava.


Pendura, se for preciso, minha alma na parede!