terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Shhh...

close your eyes
shut your mouth

they know we're here
they caught you
- inside my head

you could pretend
just for a moment
that they'd caught me too

terça-feira, 15 de julho de 2014

Para de achar que tua poesia é drama, que tua tristeza nada vale. Você é tão grande que não cabe em si, é tão profunda que eu me perco nesses teus olhos de corça; para de me olhar assim tão assustada, o que eu quero é aquele teu sorriso meio torto, aquela tua voz de disfarçar choro, aquela música que você canta quando quer esconder alguma coisa. Eu quero o que você tem aí dentro, que ninguém conhece, porque eu sei que isso é só nosso... Eu sei que se todo mundo conhecesse você não reclamaria da tua solidão, meu bem, porque o que tem aí dentro pode mudar o mundo de tanta gente...

Somewhere I belong

terça-feira, 8 de julho de 2014

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Ana e Diego (ou não)

Eu escrevi tanto sobre você e sobre como a gente não combinava em nada, mas mesmo assim não aguentava muito tempo longe um do outro. E aqui, agora, eu me lembro de todas as vezes que a gente riu o mesmo riso. Eu lembro da gente na sua casa, você, sempre ansioso, encostado na mesa esperando eu terminar de fazer o almoço só pra rir da minha falta de jeito e criticar a quantidade de tempero. Só consigo me perguntar se você também pensa nisso, se também lembra das nossas noites insones, da gente deitado junto na sua cama discutindo algum livro; de você rindo do meu sotaque e do meu s que mais parece um x, como se você não fosse carioca também; da gente se atrapalhando na hora de fazer alguma conta e de como você ria das minhas tentativas de ler algum livro de poesia e recitar minhas favoritas, tanto porque eu sempre lia rápido demais quanto porque eu sempre ficava com aquele ar sério que você dizia não combinar comigo. E a gente teve tantos momentos bons, menino, que eu sinto falta de arrumar esse teu cabelo cacheado, de implicar contigo por causa do violão velho que você insistia em não substituir, e principalmente, menino, eu sinto falta de quem eu era quanto estava com você, de quem você era quando estava comigo e de como a gente era um casal bonito, desses que dão gosto de ver. 
Onde está você que não comigo? Por que tão longe se teu lugar é do meu lado? Sempre tenho tanto pra dizer e você tanto pra contestar, mas no momento só tenho o silêncio. Eu sem você sou só silêncio. E você sem mim, eu não sei... Nem sei se quero saber... Por isso eu imagino, menino, e torço pra você imaginar também. (Quem sabe a gente não dá certo na imaginação, eu meio louca e desarrumada e você assim, com esse all star velho e esse sorriso de quem tá sempre atrasado).

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Os ombros suportam o mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
(Carlos Drummond de Andrade)

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Anna Akhmatova

O ÚLTIMO BRINDE

Bebo à casa arruinada,
às dores da minha vida,
à solidão, lado a lado
e a ti também eu bebo –
aos lábios que me mentiram, 
ao frio mortal nos olhos,
ao mundo rude e brutal
e a Deus que não nos salvou

quarta-feira, 18 de junho de 2014


Se um dia ocê se lembrar
Escreva uma carta pra mim
Bote logo no correio
Com frases dizendo assim:
"Faz tempo que eu não te vejo
quero matar meu desejo
te mando um monte de beijo
ai que saudade sem fim"

terça-feira, 17 de junho de 2014

Citação direta longa

Ela sorriu boba enquanto dava uma resposta qualquer. Simples assim, pensou, enquanto ele falava e gesticulava a fazia perguntas bobas. Ela sempre se surpreendia com a facilidade com que as pessoas entravam na vida umas das outras - como se estivessem entrando numa padaria. E agora ela sabia que a vida dos dois estavam ligadas. Nem que fosse só através de acenos numa avenida movimentada ou através da tela de um computador. Ela soube no momento em que ele voltou que as vidas dos dois estavam ligadas, porque ele a tinha tocado de alguma forma. E ela tinha tocado a ele. E ela podia ver tão claramente quanto via o brilho dos seus olhos castanhos... Os fios que conectavam a vida dos dois indo de encontro um ao outro. Ela podia ver todos os fios... De onde um saia entrava outro... E era isso que a fazia se sentir tão pequena, ali no balcão: o fato de que todos existem ao mesmo tempo. (p. 2) 
 _____
Mais um começo.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Mais um pra você, que está tão bem sem mim

Estar aqui num sábado a noite foi tudo que eu desejei por muito tempo. Pena que não me baste mais estar num lugar cheio de gente com essa luz chata piscando no meu rosto. Pena que, apesar de tudo, - da dor, da angustia, da insegurança e da minha baixa auto estima - não me baste mais um cara qualquer deixando de dançar com alguém pra puxar papo comigo. Não sei se isso significa que eu cresci ou se eu devia voltar a tomar os remédios. É só que não me parece mais tão interessante que gostem do meu cabelo ou de como meu olhar é triste. Não me satisfaz mais ser o mascote suicida da turma. Não me apetece mais ser a garota na balada que os caras acham que vai ser interessante comer porque uma garota depressiva é mais exótica que uma normalzinha que faz medicina. 
Pena que meu humor não seja mais influenciado pelo jeito que meu cabelo cai no meu olho ou pela foto estranha que tiraram de mim num canto qualquer. Acho que não me basta mais ter tanta gente se ninguém é você... Acho que não me basta ninguém se ninguém consegue ver através desses meus olhos tristes - e fundos e cansados e terrivelmente assustados. Pena que só me baste você e o que eu tenha de você seja só uma camisa velha que eu uso pra parecer mais interessante para gente que não me interessa.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

"E agora você diz que não se entrega mais e ainda diz sonhar em ser feliz. E eu digo que um dia ainda vou te ver cantando por aí a semear sorrisos como um bem-te-vi, comemorando à luz de um novo amor... Pois nada é feito em vão, não fique aí parada, sofrendo por uma paixão finada que te impede de sorrir.
Manda o que te machucou pra bem longe daqui, deixa o que te faz feliz chegar e revestir. Deixa quieto o grito dentro do seu peito que dizia "por favor, não quero me ferir". Levante a cabeça que é hora de acordar.
Em paz eu sigo, peito aberto, a me aventurar... Em paz enfrento o que há de incerto sem me preocupar. E o certo é que a saudade vai passar."

Ai ai...

sábado, 17 de maio de 2014

There's no place like home

Demolition lovers

Seus olhos percorrem meu rosto na espera de uma resposta enquanto eu penso e repenso o que já pensei e repensei incontáveis vezes no escuro do meu quarto, me negando a abrir a porta da minha vida pra você, que não cansa de bater. E é enquanto seus olhos percorrem meu rosto na espera de uma resposta e eu penso e repenso o que já pensei e repensei incontáveis vezes que eu me lembro que, por mais que a gente combine... Imagina só... Minha incansável procura pela autodestruição encontrando, por fim, a sua...


(mais um dos que continuam...)

sábado, 3 de maio de 2014

sábado, 26 de abril de 2014

Poetic Tragedy

"The cup is not half empty as pessimists say
As far as he sees nothing's left in the cup
A whole cup full of nothing for him to indulge
Since the voice of ambition has long since been shut up

A singer, a writer, he's not dreaming now of going nowhere
He gave heed to nothing
And all that he was... Is just a tragedy

So he voyages in circles
Succeeds getting nowhere
And submits to the substance
That first got him there

Then in violent frustration
He cries out to God or just no one
Is there a point to this madness?
And all that he was... Is just a tragedy

He feels alone
His heart in his hands
He's alone
He feels alone
I feel..."
(...)
______________________________
Ah, Bert... Se você soubesse...

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Antes o perigo residisse em seus braços
Meu destino na ponta de seus dedos

Antes a esperança residisse na tua fraqueza
Não dependesse de mim
Não fosse livro de cabeceira

Antes minha idade não justificasse meu desespero, exagero, desejo de estar

Antes a realidade não me soprasse aos ouvidos

Antes não fôssemos tão jovens, tão desejosos de um futuro, você livre pra voar e eu, para ficar

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Nos conhecemos em circunstâncias estranhas.

Era ele que alargava meu vazio, me dizendo palavras bobas ao pé do ouvido, pelo prazer de ver meus pelos se arrepiarem e meu sorriso perder a cor. Ele tinha tudo e eu só tinha o tempo, congelado na minha memória, impedido de continuar seu curso.

O barulho da chuva e dos galhos na janela era o que nos acordava durante a madrugada, apenas para que nos olhássemos por alguns segundos e entendêssemos que aquilo ali não era nada.


Eu não era nada.
(...) 

terça-feira, 11 de março de 2014

Still I dream he’d come to me...

Os dedos levemente bronzeados seguravam firmemente a caneta contra o papel fino da agenda desgastada enquanto a garota, sentada na superfície de mármore, olhava para o chão. Queria chorar. Queria se jogar no chão e chorar até morrer, mas sentia os minutos passarem sem que nada disso acontecesse – nem a coragem, nem as lágrimas. Sentia algo crescendo em sua garganta, como uma criaturinha pronta para rasgar-lhe de dentro pra fora, mas nada mudava seu estado de espírito. Sentada ali, esperava que qualquer coisa acontecesse.

Era uma daquelas tardes insuportavelmente ensolaradas, onde tudo parecia muito quente e desgastante e a garota sentia o suor escorrendo pelas laterais de seu rosto, mas pouco se importava. Na verdade, há pouco rabiscara no caderno o quanto era estranho ter um corpo e ser responsável pelo mesmo quando sua alma pairava logo acima da sua cabeça, como uma nuvem escura. E era exatamente assim que se sentia: observando seu corpo de longe.

Poderia passar o dia inteiro sentada na lápide do pai, como fazia algumas vezes. Sentia que pelo menos ali, na cidade dos mortos, tinha alguma companhia. As palavras para ele eram poucas, apenas cumprimentos comuns, como na época em que ele é quem ia visitá-la. Procurava, no entanto, não falar nada além do rotineiro para não se lembrar de todos os erros e voltar a se arrepender.

O sol parecia cada vez mais forte e ela, finalmente, sentiu sua alma voltar ao corpo. Olhou ao seu redor e foi então que o viu. Como um espectro, ele a observava por entre os anjos de expressões vazias. Seu coração parou por um segundo antes que um calafrio percorresse sua espinha. Os olhos fixos naquele rosto estranho procuravam algum indício de que ele era de verdade. Algo lhe dizia para não desviar o olhar.

Era um rapaz moreno, feições duras e um olhar tão expressivo quanto os de algumas esculturas que o cercavam. Transmitiam angústia, enquanto seus lábios, comprimidos numa linha fina, lhe davam uma aparência maligna. Seus cabelos compridos e negros balançavam levemente como se os mortos assoprassem perto de seu rosto, e a garota sentiu o coração bater mais forte contra o peito quando ele desviou o olhar do dela.

Sentia vontade de levantar e correr, mas sabia que não queria fugir dele. Queria passar o resto do dia encarando-o de longe, e sentia que se ela não se movesse, ele tampouco se moveria. O tempo, assim como seu coração, parecia estar quase parado, e quando o garoto voltou a fixar o olhar em seu rosto, ela teve a certeza de que tinha encontrado uma companhia que escutava a melodia que o vento soprava:

I dreamed a dream in time gone by...

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

It feels like I’ve lost a friend

Eu queria saber em que ponto nós nos perdemos. Queria saber, porque gostaria de refazer meus passos até encontrar aquela parte nossa que ficou pelo caminho. Talvez nós já tenhamos nos perdido há muito tempo e eu estivesse andando sozinha sem ter consciência disso, mas o fato é que algo em mim ainda gritava que eu não podia olhar pra trás nem perder as esperanças; que aquele garoto de olhos tristes ainda estava ali por mim e não seguindo seu próprio caminho pelas trilhas tortas da vida sem mim.

Há tempos eu venho tendo a sensação de que falta alguma coisa, de que as pessoas que me cercam não são o suficiente e que talvez eu tivesse me perdido no caminho, mas agora tudo está tão claro que não tenho como negar: eu te perdi. E você me perdeu também.

Somos duas pessoas que não têm mais nada em comum, seguindo caminhos diferentes e fazendo questão de continuar algo que não tem futuro, seja por orgulho ou por medo de cairmos e não ter ninguém pra nos levantar. E tudo o que eu posso fazer é me perguntar: será que é sempre assim? Será que tudo termina dessa forma tão feia? Será que os próximos serão assim?  Essa falta de tudo, essa solidão que só me mostra que não tem mais como seguir em frente?

Nós nos perdemos um do outro e não importa o que você diga ou o que eu diga ou o que os outros digam, a verdade é que eu perdi um amigo e você perdeu a mim, que embora não estivesse sempre ao seu favor, estava sempre ao seu lado.

Andar sozinha nunca me pareceu tão desconfortável.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Dorian

Os olhos marejados encaravam as nuvens escuras lá fora, enquanto o vento sussurrava palavras tristes em seus ouvidos. Não trazia muito peso nos ombros e pensava consigo mesma nas vantagens de ter deixado pra trás a vida, como um casulo, grudada num muro qualquer. O vento, cada vez mais frio, lhe dizia o quanto suas marcas pareciam amenizadas, o quanto as linhas da testa eram suaves e a vermelhidão das bochechas não denunciavam nenhum sofrimento profundo. Está tudo na sua alma, era o que lhe dizia. Você é Dorian e sua alma o retrato.
E o que é você, se não o vento, e apenas ele?, ela perguntava, as lágrimas molhando o lençol sujo, borrando a maquiagem. Em delírio, via a si mesma escrita por Wilde.

A noite chegava e com ela o silêncio da cidade. Assemelhava-se ao silêncio dos mortos, para ela, semimorta na cama. O vento tinha cessado, mas dentro dela a tempestade ainda se formava.


Pendura, se for preciso, minha alma na parede!