quarta-feira, 27 de maio de 2015

Estive me policiando pra não elaborar um dicionário de clichês que pudessem descrever o que eu sinto quando meu olhar cruza com o teu, mas não consegui. Foi mal. Acho que preciso dizer que é só teus pés virarem a esquina pras minhas pernas tremerem; é só seu sorriso aparecer do outro lado da rua pro meu dia se fazer um novo, desses em que se vê flores pelos cantos.
Pena que dói, né? Sempre te ter longe... Como uma dessas peças delicadas atrás dos vidros nos museus. Te ver é quase sempre como estar num museu: solitário - como aqueles personagens pintados em sofrimento eterno, fadados a sentir a mesma dor até deixarem de existir.
Cansei de imaginar como seria quebrar o vidro e te ter além disso tudo, e, nossa, como eu torci pra você imaginar também.  Eu acho que é você que me mantém por aqui, imaginando breguices sem fim pra te conquistar na imaginação.
Já que os olhares trocados pelos corredores e pelos jardins e pelas festas e pelos estacionamentos e por todas as esquinas em que meu coração acelerado já encontrou seu rosto... Já que tudo que significava tanto pra mim pouco significava pra você... Eu fico por aqui, te tendo nas histórias que eu invento pra fazer tudo menos doloroso. E talvez um pouco mais bonito.

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