Estar apaixonada não é como eu me lembrava: acho que as borboletas no estômago deixam de bater as asas com tanta vontade depois de um tempo. Talvez seja comigo o problema, talvez eu tenha endurecido um pouco. A ideia era não perder a ternura jamais, mas depois de algumas decepções acho que a gente se permite sentir menos. Ainda que esse "sentir menos" para mim ainda seja sentir demais.
Eu ainda idealizo demais, sonho demais, desejo demais. E isso, sim, é exatamente como eu me lembrava. A sensação de gostar de alguém mudou, não me causa mais aquela euforia toda, mas acho que minha vontade de ficar nunca vai mudar.
Antes, me doía pensar na despedida. Hoje ainda dói, mas eu aprendi a balancear essa dor com o prazer de estar deitada ao seu lado, com a mão perdida no seu cabelo, enquanto você, concentrado no filme, me faz um carinho meio desajeitado. Aprendi a apreciar as oportunidades que vez ou outra a vida me dá de te ter por perto.
Ainda não sei muito, mas agora acho que estar apaixonada é muito mais que pensar: é sentir, na pele (assim tão real, tão na superfície), um calor bom ao te ver sorrir, ainda mais quando você sorri para mim. É uma dorzinha boa, lá no fundo do peito, que me dá ao observar seu rosto de perto e perceber que o seu olhar busca em mim algum motivo pra ficar.
E eu te dou. Dou esses motivos numa risada, num abraço apertado, num beijo entre todos os outros beijos. Pode ficar. Meu coração te espera como quem espera um trem de volta pra casa: cheio de saudade e uma certa angústia por estar tão longe.
- 04/04/16
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