Seu olhar brilha diferente sob a luz do bar, fazendo com que seus olhos pareçam mais escuros do que são, e eu não consigo pensar em outra coisa enquanto reparo nisso: é você. É você desde o segundo dia, quando você se abriu comigo sobre coisas que eu mesma fazia questão de manter escondidas, e me fez sentir menos sozinha.
A solidão, inclusive, é algo que deixou de fazer parte dos meus dias desde que você chegou de mansinho perto de mim, com medo de acordar minha amiga bêbada, dando um sorriso envergonhado enquanto se sentava do meu lado, com as costas contra o sol e o rosto virado para mim. Eu me lembro do seu cabelo, reflexos dourados no sol das 15h, preso num coque mal feito, com alguns fios brigando com o vento; lembro do seu sorriso, os dentes escondidos sob lábios avermelhados que se moviam rápido enquanto você falava do seu dia; e me lembro da sua voz, calma e suave, oscilando o tom em momentos animados.
Momentos tipo esse, em que eu vejo seus olhos, mais escuros do que eles são, focados em mim enquanto você compartilha comigo algo que te interessa tanto que automaticamente se torna meu interesse também. E embora eu queira ouvir o que você tem pra me dizer, só consigo pensar, enquanto te observo, que o que eu sinto é tão grande que quase não cabe no peito.
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