sábado, 26 de dezembro de 2015

Já passou tanto tempo, loirinho...

Minha vida poderia ser diferente.
Era o que repetia incessantemente, sentada na frente da televisão. Os olhos focavam o nada, perdidos há muito nas possibilidades que sequer deram a ela a chance de alcançá-las. Tudo passou muito depressa, eu sei, pequena. Parece que foi ontem que você pisou na faculdade pela primeira vez, suas pernas tremendo enquanto você entrava na sala de aula. Quem diria que hoje você teria que crescer? É assim mesmo, meu bem, a vida passa e quando a gente percebe a gente já não pode mais assistir desenho o dia inteiro.
Do que vai adiantar você cobiçar a vida de quem está do outro lado do corredor, se o seu caminho já está quase completo? Resta um pedaço de papel no seu caderninho de decepções para aquilo que você de fato queria fazer da sua vida.
Se...
Se...
Se... Se tivesse acontecido talvez você não fosse tão sozinha agora; talvez ele pudesse ter gostado de você; talvez tudo seria diferente.
Eu sei que dói, mas é assim mesmo. A gente vai colhendo mágoas e colecionando cicatrizes.

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Janeiro de 2015, achei perdido no bloco de notas

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